A História do Cavaquinho – Origem e Estrutura

A História do Cavaquinho

O cavaquinho é um instrumento musical originário de Braga, na região do Minho, no norte de Portugal. Contudo, talvez um instrumento parecido, que lhe deu origem, tenha sido levado até lá por imigrantes do País Basco, na Espanha. Alguns musicólogos supõem que sua origem remota é a Grécia antiga. Trata-se de um instrumento de quatro cordas, no formato de um violão, mas menor, e de som mais agudo que o dele. É tocado de forma “rasgada”, na qual o músico apenas acompanha a melodia, “rasgando” as cordas com o polegar e o indicador da mão direita em posição rígida, ou de forma “ponteada”, em que o músico sola a melodia.

Desde o século XVIII o cavaquinho é um instrumento popular em Portugal, onde tem vários apelidos (entre os quais braguinha, braga, machete, machetinho ou ainda cavaco) e é usado em festas e comemorações. Chegando a Lisboa, capital portuguesa, ficou mais sofisticado e começou a acompanhar outros instrumentos, como o bandolim ou a viola, em pequenos conjuntos instrumentais chamados tunas. Na mesma época, por ser prático de transportar devido ao tamanho, o cavaquinho começou a ser divulgado nas ilhas dos Açores e da Madeira e onde Portugal teve colônias, como Cabo VerdeAngola e Moçambique.

Assim, o cavaquinho chegou ao Brasil logo no início da colonização portuguesa. Teve papel importante no desenvolvimento da música brasileira. Primeiro era usado no gênero musical chamado lundu, que era constituído por canções populares baseadas em ritmos africanos. Depois, no século XIX, serviu para a composição dos choros, que é um gênero musical originário do Rio de Janeiro e caracterizado por pequenas formações instrumentais, com bandolim, violões, cavaquinho e pandeiro — às vezes algum instrumento de sopro, como a clarineta ou o oboé.

A partir do começo do século XX, o cavaquinho ganhou destaque junto aos compositores de samba. Três deles fizeram músicas especialmente para esse instrumento: Nelson Alves, autor do choro “Mistura e manda”, Walter Frederico Tramontano, mais conhecido pelo apelido de Canhoto, e Valdir Azevedo, autor de “Brasileirinho”. Também foi utilizado por conjuntos populares entre os anos 1930 e 1960, como o Época de Ouro, sob a direção do músico Jacó do Bandolim, em que o cavaquinho às vezes era usado como instrumento solista. Uma curiosidade é o músico de nome artístico Nelson Cavaquinho, que na adolescência começou com o cavaquinho mas, adulto, passou para o violão.

Até hoje o cavaquinho está presente nas rodas de samba e de chorinho do Brasil inteiro. Ele também é considerado pai de outros instrumentos, como o uquelele (criado no Havaí a partir da chegada de imigrantes da ilha da Madeira no século XIX) e o cavaquinho elétrico, conhecido como guitarra baiana, inventado pela dupla de músicos Osmar e Dodô nos anos 1940 e que deu origem aos trios elétricos de Salvador, na Bahia.

Estrutura de um cavaquinho

Cavalete: Peça que é colada ao tampo onde as cordas são presas. Nele é inserido o rastilho.

Rastilho: É uma peça de osso, inserida no cavalete, responsável pela altura e tensão das cordas.

Boca: Orifício responsável pelas pressões externas e internas.

Mosaico: Ficam em volta do orifício reforçando as bordas da boca, além de ter uma função decorativa.

Escala: Consite em uma placa de madeira colada sobre o braço do cavaquinho, no qual estão fixados os trastes. A proporção da distância entre os trastes é que vai dar o temperamento à escala, dividindo-a precisamente em semitons.

Braço: Sua forma e dimensões darão maior ou menor conforto ao instrumentista.

Pestana: Tem função semelhante ao rastilho e ainda divide as cordas eqüidistantemente.

Cabeça ou Mão: Costuma ter uma marca do fabricante. Nela estão localizadas as tarrachas.

Tarrachas: Controla a tensão das cordas, visando a afinação.

Alguns Solos feitos no Cavaquinho

 

Solo – Parabéns pra você

30 30 32

30 21 20

30 30 32

30 23 21

12 12 15

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13 13 12

21 23 21 21

Solo – Hino Nacional Brasileiro

 

40 30 44 30 32 34 32 20 21 22 10 20 30
40 30 44 32 30 34 32 21 20 31 32
42 32 31 32 20 21 20 21 10 11 12 21 32
42 32 31 20 32 21 20 23 21 33 20
20 20 21 20 / 20 21 20 20 12
10 21 21 20 20 32 32 30 30 44 44 42
32 32 20 32 / 32 20 32 10
22 20 20 32 32 30 30 44 44 42 42 40
40 44 32 21 32 44 32 21 32 44 32 21 21

Repete primeira parte

30 32 30 44 30 44 30 32 30 30 21 21
32 20 32 31 32 31 32 20 32 32 10
20 21 20 33 20 21 20 20 12
10 21 32 32 30
44 30 32 21 20 30 42 42 42 21 32 32 30
32 20 21 22 10 20 30 42
21 20 30 42 40 42 44 30

Chorinho – Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu)

32 31 32 33 32 23
32 31 32 33 32 22
32 31 32 33 32
15 12 22 33 32 45 43
23 22 35 33 23 15
23 22 35 33 23 13
13 12 23 25
42 31 20 10 13 12 23 22

40 44 32 23 44 22
40 44 32 34 44 32
40 44 32 20 44 32
40 44 32 20 44 45
42 45 34 23
42 30 23 22
42 30 22 20
42 30 23 23
42 30 23 22
42 30 22 34 32

40 44 32 23 44 22
40 44 32 34 44 32
31 32 33 34 32 30 44
34 32 30 44 42
41 42 44 45
44 45 32 34 22 23 12 14
10 12 14 15 14 12 23 22 23 22 34 32 45 44 42 40

Chorinho – Carinhoso (Pixinguinha)

20  32  30  20
20  32  30  20

10  22  20  10  10  22  20  14
14  13  14  17  15  14  25  17  25  10
12  10  15  10  21  21  20  12  20  32
20  32  30  20  32  30  32  30 (1ª parte)

14  15  14  12  10  12  10  22  20
22  20  32  30
32  20  22  10  22  20  33  20  44
20  22  10  12  14  12  10  20  32
20  22  10  12  14  12  20  10  22  20  32  10
11  12  14  15
14  12  10  20  30  44  33  22  14  12
21  20  32  20  21  20
32  33  15  14  15  14  12
10  12  10  21  20  21  20  32
20  21  10  11  14  15
20  32  20  12  32  20  30 (2ª parte)

Chorinho – Ave Maria

20  21
23  32  20

12  42  44  30  32  20  32
23  40  42  44  30  32  30
15  30  32  20  22  20  32  42
44  20  20  21  23
12  42  32  32  20  21
23  40  30  30  32  20
21  21  23  12  14  12  23  32
20  23  20  20
12  42  12  30  12
15  33  15  15  32
32  32  30  44  23  20  30
21  21  20  32  17  14  23
25  25  27  28  19  28  23  20
32  12  14  12  23  17  27  35  35  32  44  40
30  30
23  23

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